A fase de viver a graduação e a vida universitária é uma maravilha desejada durante quase toda a juventude. Dessa fase, uma das mais tradicionais e folclóricas experiências é viver em uma República.

As repúblicas são, naturalmente, um meio de possibilitar uma melhor sobrevivência, surgiram para baratear os custos de vida e criar um novo núcleo afetivo, um novo lar para as pessoas que, muitas vezes, não estão preparadas pra isso. É serio! 99,9 % das vezes o infeliz do calouro – você sabe se já foi um – não sabe o mínimo de administrar e gerir uma casa. O trem é feio! E pra ilustrar brilhantemente, com uma dose de humor, segue o link de um vídeo do canal Porta dos Fundos.

Exageros a parte, é fato e verdade o despreparo e, ao adentrar em uma república está, justamente, na hora de se preparar, na hora de aprender a lidar com isso tudo. Então filhão, bora resolver esse problema?!

Mas, pera ai… o Integraê vai nos dar dicas de organização domestica da República? Não jovem! Vamos falar de um problema mais em baixo, uma questão que se resolvida, muito provavelmente vai resolver todas as demais de uma forma fácil e leve, porque é a base de tudo: UMA BOA CONVIVÊNCIA.

Me arrisco a dizer que as pessoas estão mais despreparadas a viver harmoniosamente em conjunto com mais pessoas, numa “coisa pública” do que despreparadas para os encargos domésticos. As atividades em grupo já são difíceis para muitas pessoas, pois é preciso saber lidar com as tensões do grupo, agora imagina VIVER em grupo, com certeza, se medidas não forem tomadas, se não for aplicado doses de sabedoria, vai haver conflitos de menores a maiores graus. Então, bora bater um papo sobre como evitar esses b.o?!

O primeiro passo é: SAIBA ESCOLHER. Tenha definido o que você quer: se é uma República que faz muita festa; República Gigante/grande/média/pequena; Localização; Custo de vida nessa casa; Perfil dos moradores; Rep mais organizada e menos festa… Tenha isso em mente na hora de pesquisar e querer adentrar ou montar uma rep e ai a sua expectativa, pra começar, vai ser em comum com os demais.

Muitas vezes, sobretudo, não é possível né jovem, o mundo é cão e só nos resta algumas opções mesmo, muitas vezes a pessoa chega numa cidade que não conhece, muitas vezes está perdido, sem muita possibilidade de pesquisar, muita pressão, ansiedade, inseguranças e o carai. Tem prazo de matrícula, prazo pra mudar, muita demanda de calouro procurando vaga essa época do ano, então você quer fechar logo pra não sobrar só o lugar mais longe ou mais caro, é bem comum que possa cair numa Rep que as pessoas sejam muito diferentes, com culturas e vidas muito diferentes e querem coisas diferentes.

Mas tudo vale né, afinal é o seu sonho que você ta indo atrás! E ainda assim, pode dar certo! E pode ser muito rica a experiência de saber lidar e aprender com as diferenças.

É bem simples, a sua casa (dos seus pais), até então te trazia uma ideia de que lá você fazia o que bem queria, liberdade total! Lá era fácil ne fih, pia e banheiro auto-limpantes, os pais que pagam as contas, banho de 50 minutos, computador dormindo ligado, tênis na sala, nunca pagou um boleto, mesa posta com comida pronta e o escambau… Lá na sua casa seus pais te chamavam a atenção em tom superior, afinal, são seus pais né pô.

Mas agora, pras coisas funcionarem bem você e seus colegas de Rep vão precisar eleger as regras que vocês mesmos querem seguir, vão ter que tomar cuidado pra sua liberdade não ferir a liberdade do outro e, quase nunca vão “chamar a atenção” e sim alinhar e conversar sobre o que rola, sempre com muita paciência e pensando muito no outro e na coletividade, agir, conversar, fazer ou deixar de fazer pra não atrapalhar ninguém.

Está na hora de desenvolver o exercício de pensar bem e ter bem definido o que você quer que façam e o que não façam para com você, para assim, você também não fazer, daí, você estará pensando coletivamente, observando o bem de todos e consequentemente o seu. Então, não pense que deixando de fazer você está se dando bem (se livrando do encargo), na verdade, você só está se fazendo mal – afinal, você vai atrapalhar a casa e já imagina a merda que dá.

Dentre todos os problemas que as relações entre colegas de república podem trazer, conhecer bem a pessoa vai fazer você COMPREENDER o porque ela faz ou não faz aquilo, vai ter liberdade e intimidade para falar o que te incomoda e, ainda, saber a hora e a forma mais adequada de conversar e resolver as questões. Isso tudo presume uma relação de amizade!

Então, pense, você está vivendo com outras pessoas, outros colegas, que no final das contas querem o mesmo que você – viver felizes e ter um bom lar, uma boa República –  e você quer lembrar delas pro resto da sua vida por coisas que você não gostava ou quer descobrir as qualidades, a historia e ser amigo dela? Tenho certeza que a ultima opção! Então, por que não começar a fazer isso agora!

Pode ser que nos primeiros contatos e nos primeiros problemas você reconheça a pessoa como diferente, com hábitos que você reprova, mas nada é mais normal que isso! Afinal, cada casa (entenda como cada família) tem um jeito, cada pessoa aprende de uma forma na sua casa e ali em uma Rep todos tem que entender que tem coisa que vai ter que ser diferente, que vai ter que ser mudada, e que é preciso é DIÁLOGO para resolver isso.

As repúblicas tradicionais pré-definem as responsabilidades de cada um, dividindo as tarefas conforme a necessidade da casa e a possibilidade de cada um, com diálogo, MUITO DIÁLOGO e comprometimento (é o recomendado). Daí as coisas fluem muito bem, porque mesmo que apareça um motivo que atrapalhe a realização da tarefa, a conversa vai superar esse problema e uma solução vai ser encontrada por todos e a coletividade de moradores não vai ficar tão prejudicada.

Exemplo: Diego vai à lotérica pagar a conta de luz; Dourado vai à administradora pagar o condomínio; Vinicius Jr vai fazer as compras no mercado; Everton vai dar uma arrumada ali na cozinha… e isso pode ser revezado, periódico, pode ser conversado. É só vocês elegerem democraticamente como fica bom e justo pra todos. No final, fazer é muito melhor do que não fazer!

Agora pensa… se podem estipular regras para as tarefas, porque não combinam também de fazer atividade de lazer juntos?! Qualquer hobby: um filme, uma receita de comida, sair pra festa, jogar bola, videogame, correr, pedalar, piquenique… Qualquer atividade legal que os moradores possam fazer juntos, isso tudo vai aproxima-los naturalmente. Estipular que farão isso de tempos em tempos pode, além de melhorar o clima na Rep, ser muito divertido pessoalmente para cada um – e casar essas duas coisas é o ideal – então, tentem!

Nesse clima, devem também procurar melhorar o ambiente para que propicie uma convivência agradável, aí entram não só as regras, divisões de tarefas e atividades de lazer, mas também metas de melhoria para a casa. Ou seja, tem coisa estragada, tem coisa que parou de funcionar, tem coisa que não está funcionando bem, está faltando algum móvel ou utensilio? Pô! Vai ficar esperando alguém chegar lá e te dar uma solução? Não né….então senta com os moradores da Rep, anota as prioridades do que precisam, do que querem pra melhorar, observem as condições para comprar, os modos alternativos de melhorar a casa e comecem no tempo de vocês, na possibilidade de vocês, mas façam!

Mesmo que seja com um pouquinho de dinheiro por mês, se todos contribuírem, no final de um semestre, de um ano, no máximo, já vai ser clara a melhora da República e isso gera um clima de cuidado, de zelo, de companheirismo e de união para que todos vivam melhor. Fora que muitas repúblicas possuem modos de arrecadar uma grana pra investir na melhoria do local, seja com festas, locação de quartos para determinadas datas e outros meios de arrecadar uma bufunfa.

Outras dicas que podem contribuir e fortalecer a boa convivência, uma vez já tendo o que já foi falado anteriormente (amizade e organização), são: I – criar página pra Rep (Essa sua rep já tem um nome né, pela mor de deus! Se não nem uma República é!); fazer uma camisa da Rep; Criar um hino; Confeccionar uma bandeira; Fazer um mural de fotos; fazer eventos de marcos de semestre e de fim de ano (ceia de despedida) entre vocês e tudo o mais…

Enfim, usem a criatividade e o espaço de vocês para coisas boas, pra coisas agradáveis e registrem e valorizem o que vocês têm de melhor. A convivência em República pode ser mera sobrevivência, ou podem, com essas dicas de cima, ser uma boa forma de se VIVER bem!

No próximo mês vamos falar um pouco sobre dicas de empreender na sua república – muitas repúblicas no Brasil afora são grandes agencias de eventos – e aplicar nela uma gestão “empresarial” nada mais é do que se qualificar para a vida e deixar um legado para os que vão continuar o nome da sua casa. Então, fique com a gente! Um abraço a todos!

 

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