E aí, galerinha, tudo na paz? O papo de hoje vai ser bem diferente do que vocês tão acostumados, mas muito, muito incrível, sério.

Em tempos em que a inclusão educacional vem ganhando força, mesmo que vagarosamente, é importante se perguntar se as nossas universidades estão preparadas para receber pessoas com necessidades especiais, sejam elas deficientes físicos, visuais, auditivos, enfim, pessoas estas que necessitam de atendimento especializado.

No entanto, é importante ressaltar que a acessibilidade para essas pessoas não se restringe apenas na adaptação do espaço físico às necessidades desses estudantes. O entendimento de acessibilidade deve ser mais amplo que isso. É necessário incluir também o preparo e a capacitação do corpo docente das instituições para receber esses alunos.

Paralelamente a isso, temos a questão esportiva, que também deve visar o incentivo às pessoas com diferentes deficiências a superar as próprias dificuldades, além de incluí-las socialmente por meio do aprendizado e da prática de um esporte. Em entrevista dada para o site especializado Vida Mais Livre, o presidente da ABDF (Associação Brasileira de Desportos para Deficientes Físicos), Ademir Cruz de Almeida, afirmou que “o esporte é muito importante para o sentimento de que tudo é possível dentro das minhas limitações e adaptações para execução daquilo que desejo fazer ou praticar“.

Então, para saber um pouco mais de como é o dia a dia de estudantes com deficiência na universidade, o blog IntegraÊ buscou conversar com alguns deles e perguntar como é a questão da acessibilidade e integração com os demais estudantes no meio universitário onde vivem. Também buscamos saber como é relação deles com o esporte na universidade.

Para isso, conversamos com o Rene Felipe Nassar Trindade, 21 anos, cursando o 5º período da faculdade de Medicina da PUC-PR, campus Londrina. Por um defeito congênito não explicado, ele acabou nascendo sem o pé esquerdo e veio contar um pouco da sua trajetória na universidade até então.

“Minha educação por parte dos meus pais e das escolas que passei sempre foi uma educação pautada na inclusão, me colocando sempre no nível dos demais alunos e pessoas, sempre me mostrando que eu não tinha nada de diferente e que minha deficiência era algo físico e não psicológico. E ao entrar no ambiente universitário, a história não mudou muito, continuei sendo tratado como uma pessoa normal, e no âmbito de jogos, como um atleta assim como os outros. Tenho, no âmbito da faculdade, a mesma sensação que tinha com meus pais, que sou muito bem tratado e considerado uma pessoa normal por todos que me cercam.” – Relata Rene quanto à sua experiência na universidade.

Focando um pouco agora nos jogos, Rene também nos contou um pouco de como é participar: “É claro que as vezes tenho alguns problemas relacionados a prótese, pessoas que pensam que eu posso machucar alguém ou algo do tipo, mas levo isso com naturalidade pois as pessoas pensam que às vezes não jogo direito e posso acabar machucando os outros atletas. Já joguei o Intermed e o JIA (Jogos Inter Atléticas) por dois anos e fui tratado muito bem por todos os atletas que já encontrei, as pessoas ficam mais felizes por mim do que receosas e isso é algo positivo nos dias de hoje, a integração que existe promove esse respeito pelas diferenças.”

Conversamos também com Pedro Henrique Justino, 17 anos, calouro do curso de Engenharia de Materiais da UTFPR, campus Londrina. Pedro nasceu com deficiência auditiva e também veio nos contar um pouco da sua vida na universidade.

Segundo Pedro, seu primeiro semestre na universidade vem sendo muito bom. Ele possui um intérprete de LIBRAS em todas suas aulas para facilitar a sua comunicação com seus professores. Ele também ressaltou a grande quantidade de pessoas que também sabem se comunicar por meio da linguagem brasileira de sinais, fazendo com que seu convívio na universidade e integração com os demais estudantes da universidade seja muito mais fácil. Em relação às atividades físicas que pratica, Pedro costuma jogar futsal com seus amigos e não considera que o fato de ser surdo lhe impõe alguma limitação.

E pra finalizar, temos um relato de um acontecimento muito legal que rolou no atletismo do JOIA – Ponta Grossa. As atletas Ana Patrícia, da Faculdade Sant’ana e Sthephanye Raiane Borba, da Faculdade Secal participaram pela primeira vez da competição, isso por que suas atléticas apresentaram a situação delas para a CO dos jogos, que incluíram a modalidade na competição.

Sthephanye Raiane Borba tem descolamento de retina e faz 8 anos que ela é completamente cega. Ela ficou bem feliz de ter participado, foi sua primeira vez no JOIA e foi uma sensação incrível, pois foi uma forma de mostrar para os outros que ela é capaz, e inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo. Foi ela quem procurou sua atlética (AAAZ) pra ver se podia participar do JOIA, como forma de mostrar a capacidade das pessoas com deficiência e porque ela ama o esporte.

Ana Patrícia tem deficiência visual parcial e conta: “Me senti bem e confiante pois foi uma competição normal para nós”. O convite surgiu através de seu atleta guia (Wanderley) que também é acadêmico do curso de Educação Física e como não tinha nenhuma competição para as meninas, resolveu inscrevê-la no JOIA, como uma experiência nova para a atleta.

E são acontecimentos como esse que nos fazem crer no esporte como um fator de inclusão social, permitindo que haja a sociabilização entre pessoas com e sem deficiências. No entanto, esses são alguns poucos exemplos de como o esporte contribui para isso dentro da universidade. Mas já vemos que, mesmo que com passos curtos, estamos caminhando na direção certa, e torcemos pra que, em breve, isso seja mais comumente visto nas universidades brasileiras.

E você, sabe de alguma história de inclusão na atlética? Conta pra gente!

Tweet about this on TwitterShare on Google+Pin on PinterestShare on Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here