Também conhecidos como Trote Social, Trote Cultural, Trote Cidadão e Trote Ecológico, os Trotes (e Gincanas) solidários vêm ganhando maior visibilidade e aceitabilidade no ambiente acadêmico. Eles surgiram como uma ideia para barrar com o famigerado Trote Universitário (ou estudantil) que tem a ideia de zoar os calouros tanto fisicamente, quanto verbalmente, o que pode levar ao constrangimento, às lesões corporais, ao desrespeito à dignidade da pessoa humana (prevista no Código Civil) e até mesmo à morte.

A ONU, por exemplo, criou a “Carta pelo Fim do Trote Violento contra Gênero e Raça”, reiterando a gravidade do Trote Universitário e a importância dos Trotes Solidários. Maiores explicações em “Universidade sem assédio: respeita as minas, as mana e os mano”, na parte “Calourada também é gente”.

  • Ok, mas o que são os Trotes Solidários (T.S.)?

Eles não deixam de ser Trotes Universitários, MAS(SSSSS) sem a ridicularização verbal e/ou física dos estudantes. O Trote, em si, é idealizado como um ritual de transição para o ensino superior, ou seja, um conjunto de atividades para marcar o início da vida universitária. Entretanto, a ideia central dos T.S. é promover a integração entre calouros e veteranos, sem rebaixá-los como se fossem “animais” ou “servos” dos mais “experientes” (não tão experientes assim), promovendo ações que estejam relacionadas à cidadania, atividades sociais (assistencialistas), ambientais, físicas (gincanas) e/ou culturais.

Vale lembrar, também, que outro fator difundido pelos T.S. é a não obrigação do novo aluno participar das ações, em oposição aos Trotes Universitários que (em sua maioria) não permitem tal possibilidade, por mais que as Universidades busquem intervir impondo a facultatividade da participação.

Os T.S. são, portanto, um modo diferente de associar a interação entre calouros e veteranos com ações filantrópicas.

  • E o que as Gincanas tem a ver com isso? E as ideias?

Elas são um dos “points” dos Trotes Solidários. Não sendo, deste modo, a única forma de fazê-lo. Há outras “categorias” que se enquadram (são utilizadas) nos T.S., como atividades assistencialistas, ecológicas e as culturais.

As gincanas são atividades físicas (por mais que as vezes não pareça). São aquelas famosas brincadeiras que fazíamos na escola, mas que funcionam nos T.S como uma forma de integrar os alunos e alunas, tanto veteranos e calouros, quanto calouros e calouros, e veteranos e veteranos. Pode ser “morto-vivo”, “ciranda cirandinha”, “caçador”/”queimada”, brincadeiras com balão (como assoprar até explodir), cobre cega e muitas outras, vai da criatividade da Universidade/Centro (ou Diretório) Acadêmico/Atlética/Bateria.

As atividades sociais (ou assistencialistas) são aquelas em que os calouros e veteranos participam conjuntamente para auxiliar pessoas ou animais que precisam ter necessidades atendidas. Variam desde a doação de sangue, até a coleta de materiais de higiene, limpeza, alimentos, etc., ou a própria ação direta em instituições ou ONGs.

As atividades voltadas para o meio ambiente (ou Trote Solidário Sustentável) direcionam-se para fins ecológicos, ou seja, o cuidado com a natureza. Podem ser realizadas: coleta de lixos em parques, rios, bairros, praças, etc.; plantio de mudas de árvores; explicação (palestra) para determinado grupo a respeito da importância do cuidado com o meio ambiente; auxiliar pessoas que necessitam da limpeza em seu quintal devido ao acúmulo de lixo; etc.

As atividades culturais estão relacionadas à promoção de cultura para população ou para os próprios acadêmicos, como a realização de teatros (pelos próprios alunos) para crianças e adolescentes, a criação de um painel com pinturas, a arrecadação de livros, e assim por diante.

Como é possível perceber, estas atividades estão inter-relacionadas. Além de existir mais uma infinidade de ideias, bastando apenas a Universidades, os CAs/DAs, as AAAs e as Baterias se organizarem para realizar Trotes Solidários que integrem os alunos e promovam a solidariedade.

  • Se é verdade, quero exemplos (e mais ideias)…

(Quer exemplo @?) Então vamos lá… aos variados exemplos (reais e oficiais).

A exemplo de gincanas realizadas por universidades, temos a Univille que realizou com os alunos para promover a interação entre eles (calouros e veteranos), como torta na cara, quiz sobre pertences aleatórios daqueles que estavam participando, fantasia improvisada com coisas que achassem no caminho e arrecadação de alimentos.

As atividades sociais foram realizadas – a título de exemplo – pela Centro Universitário Integrado (Campo Mourão – PR) com a arrecadação de cabelos para a posterior confecção de perucas para mulheres em tratamento contra o câncer; a Unipar fez a revitalização do Cmei Professora Constantina Henkel (Toledo – PR) pintando o local externo e internamente; a Unigran (Dourador – MS) arrecadou donativos para instituições por meio de sua Pastoral Universitárias, incumbindo a cada curso determinados materiais/mantimentos (como fraldas, produtos de limpeza e alimentos); a UniCarioca ajudou a Sociedade Zoófila Educativa (Rio de Janeiro – RJ) ao receber doações de ração (seca e úmida), materiais de limpeza e roupa para animais; a Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro – RJ) recebeu doações de materiais escolares para as crianças do Orfanato A Minha Casa; a FACHA (Rio de Janeiro – RJ) promoveu a campanha  – “Fachaceiro Sangue Bom” – de doação de sengue; a UEPB realizou ações de orientação acerca das atitudes que as pessoas devem ter sobre sua saúde, fazendo exames (como cálculo do IMC, verificação da pressão arterial e teste de glicemia) e explicando quais cuidados deveriam ter.

Exemplos de Universidades que promoveram atividades ecológicas: a UFPR – com apoio dos CAs e DAs – reuniu (em Curitiba – PR) os calouros para realizarem o plantio de mudas de ipês, pau-ferro e dedaleiro; o Programa de Educação – PET Ambiental da UFSCar direcionou os novos alunos do curso de Gestão e Análise Ambiental para apoiarem a coleta seletiva em São Carlos – em parceria com a CooperVida – ao distribuírem panfletos (e esclarecerem dúvidas) à população sobre a importância da coleta seletiva.

Uni-FACEF (Franca – SP) elaborou um Projeto (programa) de Trote Solidário (muito top) que envolve todas as atividades citadas (gincanas, doações, arrecadações, etc.) dividindo os calouros em grupos – de acordo com os cursos – e estabelecendo pontos para cada tarefa (fase) cumprida. Darei ênfase na atividade cultural para ter como exemplo:  a fase 5 – do Projeto T. S. de 2018 – compreende a dramatização musical e/ou teatral – apresentação artístico-cultural – na noite de enceramento.

Por fim, exemplos de Atléticas e Baterias. A AMEN (Atlética Monopoly de Economias e Negócios – Univille) fez uma espécie de gincana com o pessoal de contabilidade com dança da cadeira, laranja na testa, estátua e quiz sobre conhecimentos gerais, apoiando a causa da Liga das Atléticas da Univille (LAU). A Atlética IX de Maio (da Universidade Sagrado Coração) realizou a apresentação da bateria passando pelas instalações da faculdade para que os calouros conhecessem o novo ambiente em que estudariam, eles e os veteranos pediam músicas e dançaram para se enturmar, também foi feito o sorteio de produtos da Atlética em que calouros tinham que adivinhar a música ou sambar para ganhar os brindes.

Os Trotes Solidários são de grande importância para o início da vida universitária dos calouros e para a continuação da vida universitária dos veteranos, por isso é necessária a ação de todos (Universidades, Atléticas, Baterias e CAs) para a promoção da integração entre veteranos e calouros não abusiva, mas divertida (descontraída) e que promova a união e ajuda entre ambos, pois terão que conviver e se relacionar até a conclusão do curso (e quem sabe pro resto da vida, também).

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