No último domingo, (04), aconteceu em Mineápolis a 52ª edição do Super Bowl, a final da liga americana de futebol americano. O esporte já caiu nas graças da torcida brasileira, tanto é que o New England Patriots (time que chegou à final disputando com o Philadelphia Eagles) possui uma grande torcida no Brasil, além disso a própria NFL já possui um perfil no instagram totalmente voltado para o público brasileiro.

Sabemos que para o Pats, modo como boa parte da torcida chama o time comandado pelo marido da Gisele Bündchen, Tom Brady, o resultado do jogo não foi muito bom, sendo superado pelos Eagles, por 41×33, que conquistaram o primeiro troféu da franquia.

Entretanto, nosso objetivo nesse texto não é falar desse jogaço, e sim apontar alguns pontos que podem e devem ser observados pelas atléticas nesse universo espetacular da National Football League, a NFL.

Vamos aos 3 aprendizados que as atléticas podem tirar da NFL:

  1. Investimento nos calouros.

Os admiradores de futebol americano sabem como funciona o processo de recrutamento de jogadores para cada ano. O Draft, como é chamado pela NFL, é o evento que acontece anualmente onde as equipes da Liga escolhem os novos jogadores que chegam dos times universitários.

A escolha desses atletas tem tamanha importância que chega a ser envolvida em eventuais trocas de jogadores durante a temporada. Para exemplificar essa situação, é preciso entender como funciona a regra principal para a escolha dos calouros: os times com piores campanhas têm direito às primeiras escolhas.

Essa é a forma da NFL de equilibrar os times e possibilitar que times (equipes) que não tiveram boas campanhas recrutem ótimos calouros e consigam montar times melhores e mais competitivos, aumentando o nível esportivo e a competitividade da Liga.

O grande aprendizado que as atléticas devem tomar do Draft da NFL é o investimento em calouros. A maioria das faculdades contam com duas entradas anuais de calouros em seus cursos. É aí que se encontra a principal matéria prima das atléticas: as pessoas. Os calouros são fundamentais para que atlética continue em constante crescimento, tanto na questão de melhora das equipes, quanto no aumento do número de associados.

Assim como as equipes da NFL, as atléticas precisam adotar uma filosofia rigorosa e efetiva de recrutamento de novos associados, atletas e torcedores. Seja por meio de eventos envolvendo os calouros (calouradas, campeonato de calouros, recepção de calouros), seja por meio da conversão de novos associados. As novas pessoas que entram na faculdade serão os futuros diretores, coordenadores e atletas. Dessa forma é preciso cativar o envolvimento desde o primeiro dia desses na universidade.

Só para ilustrar a importância dos calouros para as equipes da NFL, o principal jogador do time campeão desse ano, Carson Wentz (Quarterback), foi o escolhido na segunda rodada do Draft de 2016, ou seja, um calouro, em seu segundo ano, foi decisivo para a conquista dos Eagles. Vale ressaltar que, embora ele tenha sofrido uma lesão e não tenha participado dos últimos jogos, foi fundamental para as vitórias na temporada regular e para a conquista da melhor campanha, o que proporcionou a vantagem de sempre decidir os jogos na Philadelphia.

  1. Valorização do espetáculo

 

A valorização do espetáculo é algo presente em todos os eventos da NFL, isso vale tanto para o primeiro jogo da temporada, quanto para o Super Bowl, que é a final da Liga. A valorização acontece em vários departamentos, que envolvem o controle rigoroso da transmissão, marketing, logística e operação.

Usando o exemplo do Super Bowl, o evento é comparado à final da Copa do Mundo, em questão de importância e número de espectadores atingidos em todo mundo.  Há uma criteriosa avaliação para todos os momentos que envolvem o espetáculo: a escolha do local, artistas que farão o tradicional show do intervalo, etc.

A NFL faz questão de tornar esse momento memorável e inesquecível para quem está presente e para quem assiste pela televisão. O evento é tão marcante que, diversas empresas e estúdios de cinema deixam para lançar seus trailers de filmes e anúncios importantes durante o intervalo do jogo. Portanto há uma valorização do espetáculo que faz com que se instale um sentimento de ansiedade por parte do público, dos anunciantes, dos atletas e da imprensa.

Como é a valorização dos eventos realizados pela sua atlética? Há uma preocupação sistemática com o funcionamento de cada setor envolvido? Esse é um aprendizado que as atléticas devem ter com a NFL: a preocupação em tornar o evento um espetáculo. Seja uma festa, um campeonato, uma peneira de atletas, quanto maior for a valorização, maior será as chances de sucesso e de maior aceitação do público.

  1. Controle organizacional impecável

A liga de futebol americana investe em uma constante gestão organizacional dos seus eventos, além de uma valorização do espetáculo, há um controle sobre diversos elementos que ajudam a construir todo o sucesso da liga.

Quer ver um exemplo exagerado desse controle? A NFL exige que, ao início da temporada, as equipes informem quais serão as cores de chuteiras usadas por seus jogadores durante os jogos da Liga. Cada equipe pode escolher até 3 cores e caso aconteça um descumprimento das regras há uma multa para os jogadores.

É importante falar que a Liga libera o uso de chuteiras especiais em datas comemorativas ou datas de acontecimentos específicos.

Esse exemplo das chuteiras é para ilustrar a força organizacional da NFL. Algumas atléticas não investem em processos de gestão diários, como o controle dos atletas, gestão financeira e a administração dos associados, o que pode comprometer toda a estrutura e impedir um crescimento da associação.

É preciso perceber a atlética como um organismo com muitas divisões e só um controle minucioso é que fará com que chegue ao sucesso em todos os campos. Claro, que não há a necessidade de controlar as chuteiras usadas pelos atletas da sua equipe, mas contar com um sistema eficiente de controle financeiro, de produtos, atletas e associados é o primeiro passo para a construção de uma atlética vencedora e para a construção de uma diretoria com gestão eficaz.

Bônus: Engajamento social

 A NFL sabe do seu grande poder de influência do público e do seu grande alcance popular, por isso, investe pesado e incentiva algumas campanhas que extrapolam o limite esportivo e promovem um engajamento social.

Em 2009, a Liga firmou uma parceria com a American Cancer Society, e desde então em todos os jogos realizados durante o mês de outubro é realizada uma forte divulgação da campanha do Outubro Rosa. Essa campanha tem como objetivo promover a conscientização, prevenção ao câncer de mama, além de ressaltar a importância da mamografia.

Durante o mês de outubro, jogadores são autorizados a usarem chuteiras, luvas, bonés e outros materiais com a cor e a logo da campanha, a logo tradicional da NFL é substituída por uma que conta com o laço da campanha do Outubro Rosa.

Além do envolvimento com a campanha do Outubro Rosa, há também o engajamento com a campanha do Novembro Azul e a criação, pela própria NFL, do Troféu Walter Payton (Walter Payton Man of the Year Award), que premia o jogador da Liga que mais se dedicou, ao longo do ano, às causas sociais da comunidade.

O aprendizado que as atléticas precisam tirar disso é a força que elas possuem por serem organizações que representam muitas pessoas. O envolvimento com questões sociais que extrapolam os campos e quadras, faz com que as atléticas construam um relacionamento de proximidade com os indivíduos que fazem parte daquele universo.

As atléticas podem se envolver com a sociedade de várias formas, alguns exemplos são: criação de gincanas, promoção de campanhas de conscientização, arrecadação de alimentos ou brinquedos, divulgação de causas em redes sociais. Há sempre uma oportunidade de gerar um engajamento social quando se trabalha com muita gente.

Conclusão

Esses 4 pontos são apenas alguns exemplos que podem ser seguidos pelas atléticas. Por se tratar a NFL de uma Liga extremamente organizada, há uma série de outros fatores que podem e devem ser seguidos por atléticas e até mesmo por ligas profissionais de esportes brasileiros.

Assim como a NFL, as atléticas ganham cada vez mais força no Brasil. O universo universitário se tornou uma importante vertente do esporte nacional e ganha adeptos e admiradores em quase todas cidades do país.

Seguir o modelo da Liga americana é um caminho para as atléticas conseguirem um bom exemplo, ainda mais considerando que no Brasil falta organização até na principal liga do nosso principal esporte: o futebol. Ops, esqueçamos a desorganização do futebol profissional no Brasil, isso é tema para outro post. Viva a NFL!

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1 COMENTÁRIO

  1. Carson Wentz foi escolhido na primeira rodada do draft de 2016, não na segunda rodada. Ele foi a segunda escolha da primeira rodada.

    Belo texto! Parabéns pela iniciativa e pela comparação!

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