A ansiedade começa no ano anterior.

Qual vai ser a cidade-sede? Quanto vai estar o pacote dos jogos? Qual vai ser o aloja? E o mais importante: como alastrar ainda mais nesse ano?

Com menos de 100 dias, algumas atléticas já colocam no bloco da faculdade o famoso cartaz com os dizeres: faltam “X” dias para os melhores jogos da sua vida, dá até uma emoção só de lembrar.  Com isso já começam os rumores sobre a famigerada cidade que vai sediar os jogos, especulações em todos os lugares, nos intervalos e aulas vagas não se fala de outra coisa, todo mundo tem um amigo da Liga dos Jogos que disse que esse ano vai ser em tal cidade, mas calma jovens, esperar vale cada segundo.

Logo no começo do ano, os veteranos mais experientes já começam a juntar aquela graninha pra investir no pacote completo dos jogos. Mal sabem aqueles que só vão nas festas que o verdadeiro rolê é durante o dia, chapar de gummy e entrar no ginásio para cantar as músicas da sua atlética até ficar sem voz, bonde do silencio dentro do ônibus, selinho da paz, buzina paralisadora no meio da rua, e principalmente, a curtição dentro dos alojas, onde a magia acontece.

Nesse momento o coração já está quase pulando pra fora do peito (mas ainda não está na hora de ter o piripaque), os treinos já estão a milhão, todos os times dando o sangue porque esse ano é o ano da SUA atlética, treinos quase de madrugada ou no sagrado fim de semana, mandando fazer os novos uniformes, investindo em quadras, material esportivo e técnicos. Nada vai tirar o título esse ano, todos focados em serem campeões da sua modalidade, seja nos individuais ou nos coletivos, esse é o SEU ANO.

Chegando perto dos jogos, o mundo vira de pernas pro ar. As atléticas estão a todo vapor, organizando alojamentos, busão, venda de pacotes, treinos, festas de Pré-jogos, e é claro, investindo em torcida. Toda atlética tem um carinho especial pela torcida, algumas compõem até com uma organizada. Abadás, tinta na cara e a voz rouca diferenciam aqueles que são verdadeiramente loucos pelo seu curso, pela sua faculdade. Isso não é nem 1% do que os membros das AAA’s vivenciam antes dos jogos, o estresse e as horas sem dormir de todo um ano de trabalho são dedicados a esses 4 dias, que vão ser os mais importantes daqueles que como eu amam e dão o sangue pela sua atlética. Certa vez eu disse para o meu amigo Yuri Contrera que o momento mais emocionante da vida de atlética era ver a galera elogiando uma cervejada da sua AAA, ver os acadêmicos curtindo o rolê que só estava acontecendo por conta do trabalho e dedicação dos seus companheiros, não tinha preço. Já ele discordou, me disse que nada se compara a colocar uma medalha no peito do seu atleta, de levantar um troféu e ver a galera indo a loucura, e quer saber? Ele está coberto de razão. Torcer, gritar, festar e comemorar junto com a sua delegação durante os jogos é uma sensação indescritível e todos deveriam vivenciar isso de alguma forma.

É hora de dar o start nos MELHORES JOGOS DA SUA VIDA. Uma semana antes a ansiedade não permite que ninguém tenha uma boa noite de sono. Na hora de fazer sua mala, é só roupas da sua atlética que te identifiquem como parte da delegação: camisetas, samba-canção, boné, blusa, caneca e bandoleira/tirante. Mas não importa, você vai esquecer alguma coisa hahaha. Seja o colchão, toalha, escova de dentes, alguma coisa vai ficar para trás ou então eu que sou esquecido. No dia anterior ao jogos, a delegação parte de um mesmo ponto da cidade, a galera começa a aparecer com travesseiros na mão, e uma mala na outra, se despedindo dos pais com aquela cara de “o role vai ser de boa mãe, relaxa” mas nós sabemos o que essa frase significa. Esse momento que você reencontra aquele amigo que só vê duas vezes no ano, uma nos jogos e outra no exame final.

Já na cidade-sede a contagem regressiva começa, você tem 96 horas pra curtir e não dá pra perder nada, bobagens como dormir ou tomar banho (quê?) ficam pra depois, o negócio é já partir pros ginásios, se armar com um copo de gummy em cada mão e já começar a gritar, torcer e desmotivar o rival. Pra quem já viveu isso sabe o quanto é importante apoiar os times, já experimentou jogar uma competição onde a arquibancada do inimigo está lotada e a sua só tem dois ou três perdidos? Não dá pra dormir no ponto né.

 

Existem 3 maneiras de se vivenciar os Jogos:

A primeira é como torcida, aquela galera fanática que lota as arquibancadas e nunca deixa o grito morrer, que chapa de manhã, à tarde e à noite e não perde uma integração com outros cursos, que vai para as festas ensinar como se faz. (Sempre respeitando as mina né, por favor rapaziada, valeu).

A segunda é como atleta, aquele que se dedicou o ano inteiro nos treinos e batalhou muito pra sair de lá com uma medalha e a sensação de missão cumprida, é aquele pessoal que tem que fazer a difícil escolha entre ficar mais uma hora na festa ou descansar mais pro jogo do outro dia, essa galera é foda.

E a terceira é como membro da atlética, é aquele pessoal dedicado que faz de tudo pra levantar o troféu no final do quarto dia, que perde as festas pra ficar no arbitral e garantir que nenhum atleta saia prejudicado, que tem que garantir que tudo esteja perfeito, e vão chorar de alegria e comemorar ao mesmo tempo ao final de cada jogo e de cada resultado.

No final desse fim de semana maluco, o que fica é a saudade, os novos amigos que você fez, e as lembranças de um role que com certeza vai ser inesquecível. Jogos além de alastração, também é sentimento, é respeitar a cidade e os alojas, jogos é o que movimenta o mundo universitário, é de onde saem aquelas histórias de faculdade que você irá contar pro resto da vida.

E que venham os jogos, então!

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